quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Divisão de poderes?

Não queria postar, mas me senti obrigada. Não acredito que o STF determinou a extradição do escritor Cesare Battisti. Agora é assim? Entregaremos cidadãos que cometeram crimes políticos durante a repressão em seus países? Em um governo de esquerda? Tarso Genro bem que tentou dar asilo a Battisti, e sob o aval do Presidente da República. Depois de muita enrolação, o STF me faz essa lambança.

O governo da Itália é de direita. Sabe o Berlusconi? Sim, o do Milan. Sim, o corrupto. É para ele que entregarão Cesare Battisti se a extradição de fato ocorrer.

Agora, o Supremo de fato é o poder supremo, né, como bem ouvir dizer. Não há mais separação de poderes...

Amigos bacharéis em Direito, rasguem seus diplomas.


*** Abaixo-assinado CONTRA a extradição de Battisti



Meu presidente, conto com seu poder de veto.


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*Atualização 19/11/2009 - Governo (Executivo) deve manter Battisti no Brasil. "Ninguém no governo acha que Battisti deve voltar à Itália". http://migre.me/bZ2r

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Este é um post-desabafo. Talvez mais desabafo do que post, o que faz com que a ordem correta seja desabafo-post. Ou qualquer coisa que o valha.

Ando muito sem paciência para pessoas. Elas me entediam, since always, mas ultimamente minha cabeça não tem tolerado comportamentos (dos mais variados).

É como se vivessem em círculos - e somente em círculos. Repetem dramas, repetem falas, repetem o quão desinteressantes são, a cada minuto. Nos primeiros, ouso tolerar, mas quando o tempo corre - cada vez mais lento, e nisso não há contradição - o eco (a repetição em essência) se torna cada vez mais alto. Não suporto, meu peito enche-se de algo que não é ar, mas que deve ser colocado para fora em determinado momento.

Os antigos trabalhavam com o tempo cíclico (incas, maias, gregos, babilônios), o tempo em que a existência dos seres baseia-se na repetição. No medievo, a noção de linearidade predomina, o tempo linear é uma reta apontando sempre pra frente. O ponto inicial é a criação, e daí em diante, segue-se em frente, sem retornar. Tal visão também reflete a idéia de progresso.

Não acho que as duas formas supracitadas sejam adequadas (sozinhas, por elas mesmas). Acredito que deve-se saber unir as duas coisas, formando um movimento espiralado, onde reta e círculo se unem, prosseguindo, mas sempre fazendo voltas. Caminha-se para algo novo, mas sempre com um outro algo retornando. Esta noção é predominante hoje, no estudo das temporalidades (isso não é um argumento meu, de início, só estou trazendo-o para uma outra perspectiva, pessoal). O tempo é a esfera macro; nossa existência, a micro. Acredito ser possível aplicar a teoria do contingente (tempo) para o conteúdo (os reles mortais).

Todos repetem algo no mundo, e repetem-se (e não há humanidade maior que se repetir). Mas há quem não saia disso. Há quem não enxergue a espiral do tempo, há quem viva sempre na mediocridade do nada sobre o nada, do coisa alguma que sempre leva ao mesmo b(v)alão. Na mesquinharia, nas aparências. Há quem fale sobre o vazio, porque este é a pintura real do que possui na mente. Há quem não observe o verdadeiro (e eterno) devir que é a existência, e por isto talvez não saiba compreender-se.

"Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã" é o desinteressante sacramentado.

E quando olho nos olhos das pessoas, o desinteressante grita.




quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Com a quantidade de reclamações acerca de chefes imbecis que vejo por aí, cheguei à conclusão que colocar boçais em cargos de liderança deve ser algum tipo de estratégia empresarial. Não encontro outro motivo minimamente razoável para que toupeiras e estrupícios ocupem cargos de chefia em instituições (sejam públicas ou privadas).

Vamos aos exemplo pessoal: reúno aqui algumas pérolas do meu chefe. Mas o pior não é o cidadão ser chefe, pura e simplesmente. O agravante é que ele é professor universitário, e doutor! Responsável pela formação de centenas de alunos que passam pela Universidade onde trabalho. Rapadura é doce, mas não é mole não.

Contei com a ajuda e narrativa de dois amigos para reunir esta maravilhosa "Espantalho Quotes". Já dei uma palhinha no Twitter, mas é tão... tão... hilário que resolvi desenvolver. Lá vai:



- "A pobreza degrada o meio ambiente, o país pobre é mais degradado";


- "Agora vamos ver a relação entre pobreza e altura" (tentando dizer altitude).[Comentário espirituoso de A., que acompanhara a jornada: Sério, eu tô aqui pensando nos Alpes da Suíça e em La Paz, Bolívia];


- "Às vezes tem emancipação de municípios, um município se junta a outro, para continuar o laço histórico". [Aqui eu rasgo meu diploma de bacharel em História];


- "Gente, uma dica pra quem tá fazendo monografia: mudem um pouco os gráficos que pegarem da internet, pra não parecer que copiou e colou" [Ah, não tem problema em copiar não, o problema é só dar na pinta que copiou!]


- "Ele falou que na Holanda tinha muito $ porque tinha muito judeu, e que Einstein praticamente inventou a bomba atômica..." [Contribuição de P. A., ex-aluno do cidadão em questão].;



- "E tem mais: disse que energia 'aeólica' é muito usada na Holanda, e que a palavra 'candango' vem da palavra 'calango'... [Por P.A.];



- "Ele foi fazer chamada 1 dia. Só restávamos eu, 2 negões, 1 mulata, 1 brancão meio ruivo e 2 louras. A anta pergunta: "Zhu Li... Zhu Li? Zhu Li, tá aí?". Ignoramos, obviamente. [Por P.A.].


* Os nomes dos protagonistas foram preservados, pois sabem como é... o blog ainda é público.





quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Comunidade: argumento de venda.

Tomei a ideia deste título (e do post) de Zygmunt Bauman, sociólogo polonês. Usarei mais algumas ideias dele para promover aqui no blog um descontentamento do mundo, um esvaziamento de corações, visando a tornar a existência triste e sem sentido. Não para mim, obviamente, mas para quem não se sente bem consigo mesmo.


Algumas explicações: o autor possui um conceito chamado "modernidade líquida", que é bem simples: mundo de hoje, capitalismo pós-fordista, de acumulação flexível e de instabilidade nas relações de trabalho. Bauman adota este termo pois não acredita que a Modernidade esgotara-se, embora tenha hoje diferentes contornos, e parte para uma critica da "pós-modernidade", que acabara por minar a discussão. Mas isto é bla bla bla acadêmico. Tô falando dessa sociedade pós-industrial, dessa nossa era das novas tecnologias de informação, morô bródi?

Então, nesse mundinho infeliz onde tudo é acelerado, fluido, e com mudanças radicais marcadas pelas novas tecnologias, identidade é um luxo. Tá lá esse novo sujeito, perdido, desolado, sem entender o seu lugar nesse mundo instantâneo... O que acontece? Tchan-tchan, identidade vira produto a ser consumido! Vende-se pertencimento. Vende-se o "estar em um grupo". Vende-se a comunidade! Estamos todos no shopping comprando porque é isso que nos torna parte de um grupo! Yeah! É por isso que o camelô vende pro pobre a bolsa Louis Vuitton fake, minha gente! Porque o pobre quer se sentir membro da mesma comunidade que o rico!

As três palavras de ordem da fluidez contemporânea: identidade - comunidade - consumo. Chega a ser poético. Acabou, quem precisa de mais? O consumo liga-se à auto-expressão, à questão identitária, onde o indivíduo se expressa através de suas posses. A vida, antes regulada pelo papel do produtor, era baseada em normas. Hoje, baseada no consumidor, não segue regras! Deve ser orientada pelo desejo, pela sedução (impressionante como neguinho lê Freud, cara!).

Mas (créditos ao autor) Bauman não fica somente na análise do desejo: vai além e trabalha com o fato de que, além da sensação e do prazer, o consumo está ligado à questão da insegurança: ele é uma forma de afirmação, de se sentir confiante e pertencente a um grupo. A obediência a padrões se da, então, pela sedução e não mais pela coerção, como se dava na "modernidade sólida". As regras de convívio são ditadas pelo consumo, que é o que direciona para uma "sociedade melhor". (MEDO).


[Mas tudo isso é porque eu quero ir na Tok Stok comprar um monte de treco lindo! Hihihihi. É a comunidade, rapaz... tá aí o Orkut aí pra provar!]

*Que venham meus amigos marxistas - que eu sei que estão lendo isso aqui - e me marretem por falar de Bauman. Eu não ligo.

** Dedico este post a JMGX, sei que ele compartilha muito desta questão comigo, e a inspiração veio de uma conversa que tivemos há alguns meses.

*** Dedico também a JP, mas de uma maneira diferente, pois ele é um carinha muito bacana que quer fazer parte da comunidade do primeiro milhão ($$$)!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Inauguro hoje uma série de posts sobre um conceito que, pessoalmente, não atribuo muita importância. Pelo menos não a importância burguesa e encantada que a maioria dos seres que caminham nesta Terra atribuem.

Platão (esse carinha mesmo, o do amor platônico), filósofo grego, possui uma série de textos escritos em forma de diálogo. Para quem quiser saber mais sobre o que será (em parte) narrado aqui, go wiki, pois não irei explicar muito. Internet é isso, trouxe esta bela ferramenta chamada Wikipedia... então pra quê, me digam, a interpretação de uma pobre mortal com meia dúzia de leituras teria importância? Go wiki, baby!

Em poucas palavras, trata-se do diálogo platônico intitulado "O Banquete", mas que na verdade está mais para uma reunião de amigos regada a alcool (coisa que conhecemos bem, people!). No fim, todos - bêbados - começam a discorrer sobre assuntos "sérios" numa pretensa "sinceridade-ébrio-filosófica". Aposto que todos aqui conhecem este tipo de cenário, han?

Nesta festinha (a-r-r-a-s-a!) narrada por Platão, estavam presentes algumas figurinhas importantes, tais como Sócrates. Festinha de globais, coisa chique. Mas o discurso que mais me agrada, dos bebuns, é o do dramaturgo Aristófanes. Chegamos ao objetivo.

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Ao tratar da natureza de Eros (Aaah, o amor!), Aristófanes diz que Eros é tão benevolente com os homens pois, no princípio, estes eram unos. Havia três tipos de seres humanos: o homem duplo, a mulher dupla e o homem-mulher, chamados de andróginos.

Sendo seres duplos, tinham quatro pernas, quatro braços e dois rostos sobre o mesmo pescoço. Eram redondos e, quando atingiam alta velocidade, eram capazes de locomover-se rodando. Possuíam vigor e força imensos (além de serem presunçosos): queriam subir aos céus para depor Zeus. Bem humano mesmo, diz aí.

Zeus, com raiva, resolve castigá-los. Como? Simples: separando-os ao meio. Após a divisão, tornam-se homens e mulheres, com os rostos virados para o corte e os órgãos sexuais direcionados para trás. Ao se encontrarem, procuravam, no frenesi do desejo, a união a todo custo. Em consequência, tentavam o abraço e morriam de fome e inanição. Temendo a extinção da raça humana, Zeus permitiu que Eros lhes virasse o sexo de frente, concedendo-lhes o desejo e a procriação.

Assim, para Aristófanes, desde que fomos separados do que naturalmente éramos, procuramos a nossa outra metade e a ela nos unimos.

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Bonito isso, não? Que venham os românticos dizer que este é o pressuposto básico da idéia de "alma gêmea" (a qual abomino) e dar explicações bonitinhas para a homossexualidade. Essa parte eu passo, fica a critério dos (6?) leitores do blog.


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Ainda na ideia de "inauguração", aparecem hoje também tags nas postagens, coisa que nunca gostei, mas sei lá, tô me sentindo super revolucionária hoje.

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Saindo da fantasia e voltando à realidade, vamos ao mestre Ian Curtis:

♪ "Love Will Tear Us Apart" - Joy Division ♫


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Eterno Retorno.

“(...) todos os livros, por diversos que sejam, possuem elementos iguais: o espaço, o ponto, a vírgula, as letras do alfabeto (...) a Biblioteca é total e suas prateleiras registram todas as possíveis combinações dos vinte e tantos símbolos ortográficos (número, ainda que vastíssimo, não infinito). (...) A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direção, comprovaria ao fim dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (...)”.


[Jorge Luis Borges - "Biblioteca de Babel"].


Na ideia de Jorge Luis Borges, como o tempo é infinito, as combinações da Biblioteca, embora absurdamente variadas, irão se repetir. Isto porque é um número finito, apesar de absurdamente grande.


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Tudo retorna sem cessar. Se tivesse o universo um objetivo, já o teria atingido; se tivesse alguma finalidade, já a teria realizado. Não existe um deus, soberano e absoluto, com desígnios insondáveis. Todos os dados são conhecidos: finitos são os elementos que constituem o universo, finito é o número de combinações entre eles; só o tempo é eterno. Tudo já existiu e tornará a existir. Cada instante retorna um número infinito de vezes, cada instante traz a marca da eternidade. O universo é animado por um movimento circular que não tem fim.
Finito, mas eterno: é o quanto basta para formular a doutrina do eterno retorno. Todos os dados são conhecidos: finitas são as forças, finito é o número de combinações entre elas, mas o mundo é eterno. Daí se segue que tudo que já existiu e tudo tornará a existir. Se o número dos estados por que passa o mundo é finito, todos os estados que hão de ocorrer no futuro, já ocorreram no passado.

[Minha tentativa torta de explicar o "Eterno retorno", Nietzsche].


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Achei (perdido) em casa um trabalho que continha estes dois trechos. A ideia era vincular alguns contos de Borges a Nietzsche, sendo que fiz este trabalhinho no terceiro ano do Ensino Médio. Obviamente, adaptei para colocá-lo aqui, mas tentando manter ao máximo a ideia e a escrita original. Era este tipo de coisa que eu fazia quando era mais nova. Tenho certeza que agora todos entendem o motivo pelo qual eu ODEIO a faculdade de História.

Valeu galëire, por me tirar a sensibilidade e a percepção das coisas. Valeu pelo meu bloqueio, champs! Valeu, por horas debruçadas sobre textos acadêmicos que atrofiaram a minha mente, sugaram minha alma e tiraram o sorriso do meu rosto.

See you, bastards. Minha revolta fará o meu caminho.

(Sério, eu estou tão... tão... indignada {- ! - } que chego a me questionar se foi bom ou ruim eu ter encontrado este meu texto. Sim, eu sou uma pequena garotinha que queria desabafar, isto e apenas isto).

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

- Procurando algo, vovó?
- Sim, meu filho. Perdi meu anel de diamantes. Foi presente de seu avô Jorge, em nosso primeiro ano de casamento. Não acredito que o perdi. Talvez esteja aqui no armário...

(...)

- Vovó, a mamãe disse que a senhora nunca teve um anel de diamantes...
- Como não?!? Claro que eu tenho! Ganhei de um rapaz que conheci antes de seu avô... chamava-se Francisco. Rico, bonito e apaixonado por mim, mas... sabe como é... quando a flecha do cupido não acerta, não tem jeito.

(...)

- Achou o anel de diamantes, vovó?
- Aaaaaah, meu anel de diamantes. Ganhei de sua bisavó. Herança de família... sabe, essas coisas tem valor... e não é o valor dos diamantes não!
- É, sei...

(...)

- Vovó, trouxe um presente pra senhora.
- Oh, não diga! Do que se trata?
- Uma caixinha de jóias. Pra senhora guardar seus anéis... inclusive o de diamantes, quando o encontrar.
- Que anel de diamantes? Garoto doido, viu? Deve ser da sua mãe...

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